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O Jardim de
Infância Santa Ignez foi fundado em março de 1952 pela
professora Nícia Arantes Macieira e seu esposo Joaquim Lopes
Macieira. Em 18/09/1959 passou a denominar-se Instituto Nícia Macieira.
Começava, assim, a
formação de um colégio, utilizando um método inovador de
alfabetização (através de fonemas) que revolucionou a
aprendizagem na época e contribuiu para engrandecer a história
do nosso bairro. Os anos passaram e o colégio começou a se
destacar na região do Grande Méier e novas turmas e séries
foram surgindo.
Homenagem à fundadora
No ano em que se comemoraram com alegria os 200
anos da chegada da Família Real Portuguesa ao Brasil, testemunhei com tristeza a
partida da Diretora do INM, Nícia Arantes Macieira, aos 95 anos, minha avó.
Vó Nícia foi uma mulher à
frente de seu tempo, incansável e com uma energia contagiante. Seu estilo forte
e marcante nunca passou despercebido nos lugares em que freqüentava. Não era do
seu feitio “beijinhos melosos e abraços prolongados”, mas sua presença já
bastava , pois era intensa e reconfortante.
Reunia muitos dons que eu almejava, possuía uma cultura invejável com um
conhecimento amplo de tudo e de todos. Seu raciocínio lógico me fascinava e ao
mesmo tempo escrevia versos e poemas carregados de sentimentos que muito me
emocionavam. Mas não parava por aí: era uma excelente artista e confeccionava os
mais variados trabalhos manuais que iam de pinturas de porcelana e em tela à
arte com linhas e agulhas. Apesar de a cozinha não ser o seu forte, adorava
quando criança saborear o seu delicioso doce de abacaxi com uma cobertura areada
de creme de leite, e eu que já apreciava um creme, mesmo não sendo um “brülée”!
A escola que ela criou
foi o seu maior capricho e seu maior orgulho, a causa que ela sempre abraçou,
sua verdadeira vaidade! Seu temperamento firme e decidido impressionava as
pessoas que ainda não a conheciam. Construindo o colégio você cimentou o
conhecimento de cada aluno que por suas mãos passaram.
Minha avó foi uma
fortaleza para mim: de princípios e de saúde. Lembro que ela dizia com uma
pontinha de altivez, com dedo em riste fixando seu olhar ao meu de que nunca
havia tido uma enxaqueca na vida e eu com minhas “nécessaires” abarrotadas de
remédios ficava perplexa!
Aos poucos, vovó foi se
afastando do universo escolar, pois ela sempre soube a hora de parar, mas
mantinha-se informada de tudo... ela jamais esqueceria um filho seu. Sempre tive
uma admiração velada por ela e numa das últimas vezes que fui vê-la , antes de
partir, ela terminava a leitura do livro “1808” e conversamos a respeito da
figura pitoresca de D. João. Percebi o prazer que ela sentia pelo conhecimento.
Apesar de certas dificuldades impostas pela idade, segurava o livro, em suas
frágeis mãos, que repousava no seu colo e com a página devidamente marcada. Que
mulher sábia!
Vó, ser sua neta foi uma
honra para mim!
“Se é triste sentir saudade...
Muita saudade de alguém...
Maior é a infelicidade...
De não tê-la de ninguém...”
Nícia, você fez escola!
Boa Viagem!
Maria Luísa Macieira Morales

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